Nav Suporte
Notícias de tecnologia 7 min de leitura

Compras pelo WhatsApp: 73% compraram no último mês

Compras pelo WhatsApp já viraram rotina: 73% dos consumidores digitais compraram pelo app no último mês, diz a CNDL/SPC Brasil. O que muda no atendimento.

Mulher sorrindo enquanto mexe no celular em uma sala com letreiro de neon ao fundo, cena comum de quem faz compras pelo WhatsApp
Imagem de ilustração (Unsplash).

Em 30 segundos

As compras pelo WhatsApp deixaram de ser exceção: 73% dos consumidores digitais fizeram ao menos um pedido pelo aplicativo no último mês, com média de 2,1 pedidos por pessoa. O dado vem da pesquisa da CNDL e do SPC Brasil em parceria com a Offerwise, que também mediu o tamanho do comércio eletrônico brasileiro — 139 milhões de compradores online, 20 milhões a mais que no levantamento anterior. E, entre quem aceita receber mensagem de loja, a preferência número um não é promoção: é suporte.

Eu tropecei nessa pesquisa numa matéria do E-Commerce Brasil publicada ontem, e comecei a ler esperando o de sempre: número grande de e-commerce, frete grátis no topo, ticket médio estável. Estava tudo lá mesmo.

Só que a tabela continua depois disso, e a parte de baixo é bem mais interessante que a manchete. Foi ali que eu parei, voltei e reli.

O que a pesquisa mediu

Antes dos números, a ficha técnica, porque ela muda o peso do que vem a seguir. A CNDL é a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, a entidade que reúne as associações de lojistas do país; o SPC Brasil é o serviço de proteção ao crédito ligado a ela. Os dois fizeram o levantamento com a Offerwise Pesquisas.

A coleta foi feita pela web entre 25 de maio e 4 de junho de 2026, com 939 contatos na primeira etapa e 800 questionários completos, e margem de erro entre 3,2 e 3,5 pontos percentuais, com 95% de confiança. Ou seja: é foto de maio e junho, não de setembro. Vale manter isso no canto da cabeça.

O retrato geral do comércio eletrônico é de expansão: 85% dos consumidores digitais das capitais compraram online nos últimos 12 meses, o equivalente a cerca de 139 milhões de compradores no país. A frequência subiu junto — a média mensal passou de 4,6 para 5,1 pedidos, e a fatia que comprou no último mês saltou de 54% para 66%.

O ticket médio, curiosamente, ficou parado: R$ 224 em 2025, R$ 225 em 2026. Mais gente comprando mais vezes o mesmo tanto de cada vez. João Paulo Travasso Maia, coordenador de Soluções do SPC Brasil, resume assim: "O crescimento da frequência de compras mostra que o consumidor está cada vez mais habituado ao ambiente digital. A compra online passa a atender desde necessidades recorrentes até decisões mais planejadas".

As compras pelo WhatsApp entraram na rotina

Aqui a coisa fica concreta para quem tem uma loja. Não estamos falando de gente que conversa pelo WhatsApp e depois compra em outro lugar: 73% dos entrevistados realizaram ao menos uma compra pelo aplicativo no último mês, com média de 2,1 pedidos.

Some a isso os grupos. 55% dizem participar de grupos de WhatsApp para acessar promoções exclusivas — um avanço de 14 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Catorze pontos em doze meses é muito movimento para um hábito que já era comum.

E tem o dado que dá permissão para tudo isso: 82% consideram aceitável receber mensagens de empresas e lojas. Confesso que eu esperava um número mais baixo, porque a conversa que a gente ouve por aí é sempre sobre gente irritada com mensagem de loja.

Comerciante de avental azul sorrindo enquanto olha o celular na frente da vitrine aquecida de um quiosque de comida
Para o pequeno comércio, o celular no bolso virou a porta de entrada dos pedidos e das dúvidas.

O número que me pegou: suporte na frente de promoção

Aí vem a parte que me fez reler. Dentro desses 82% que aceitam receber mensagem, a pesquisa perguntou que tipo de mensagem a pessoa quer. E a resposta mais citada, com 46%, foi mensagem sobre suporte, dúvidas e acompanhamento do pedido. Oferta personalizada e promoção ficaram em 30%.

Gráfico de barras comparando 46% de preferência por mensagens de suporte, dúvidas e acompanhamento contra 30% por ofertas e promoções
Montei este gráfico com os dois tipos de mensagem mais citados na pesquisa CNDL/SPC Brasil.

O cliente abriu a porta do WhatsApp mais para ser atendido do que para receber oferta. Isso inverte a ordem natural com que a maioria das lojas pensa o canal — primeiro a lista de transmissão da promoção, depois, se sobrar tempo, a resposta.

Faz sentido quando você olha o próximo número. A parcela de consumidores que teve algum problema na última compra subiu de 20% para 27%. As ocorrências mais citadas foram entrega fora do prazo (8%), produto diferente do anunciado (7%) e mercadoria danificada (6%).

Sete pontos percentuais a mais de problema, num universo que ganhou 20 milhões de compradores, significa muito mais gente precisando falar com alguém. E adivinha por onde essa pessoa vai escrever.

O que os dados não contam

Preciso ser honesto sobre onde a pesquisa para. Ela mede o que o consumidor declara preferir, não o que ele faz. Uma coisa é dizer que aceita mensagem de suporte; outra é a reação real quando a mensagem chega às dez da noite.

Também não há nada no material sobre quanto tempo essas pessoas esperaram por uma resposta, nem sobre quantas dessas conversas foram atendidas por robô. A pesquisa mede o volume e a preferência, não a qualidade do atendimento que veio depois. Fiquei com essa curiosidade sem resposta.

E o recorte é de capitais, com coleta em maio e junho. Um comércio de cidade pequena pode viver um WhatsApp bem diferente desse. Os números dão a direção do movimento; eles não são o retrato exato da sua loja.

O que muda para quem atende cliente

Pense numa loja com duas ou três pessoas cuidando de tudo. Se 73% dos clientes compram pelo WhatsApp e 27% tiveram problema na última compra, a fila de mensagens não é feita só de gente decidindo o que comprar. É gente perguntando onde está o pedido, se o tamanho serve, se dá para trocar.

Essas perguntas se repetem com uma constância que chega a ser previsível — e é justamente por serem repetidas que consomem o dia. Responder "seu pedido saiu ontem, chega quinta" pela vigésima vez não exige julgamento nenhum; exige só que alguém esteja disponível naquele momento. O problema é que esse alguém geralmente é a mesma pessoa que precisa comprar, precificar e fechar o caixa.

O dado dos 46% ajuda a decidir onde investir esforço. Se a expectativa declarada é ser atendido, o retorno de organizar a resposta tende a ser maior do que o de caprichar na lista de transmissão. E organizar aqui é bem pé no chão: ter as respostas das dúvidas mais frequentes escritas em algum lugar, manter o histórico da conversa acessível para quem for atender depois, e não deixar a pergunta de domingo à noite esperando até segunda. É esse tipo de pergunta repetida que o Nav Suporte responde no chat do site, com a opção de chamar uma pessoa na mesma conversa quando o caso pede julgamento.

Vale combinar duas coisas que já discutimos por aqui. A primeira é que automatizar resposta repetida só funciona quando o robô sabe passar a bola: escrevi sobre a diferença entre o chatbot de árvore de decisão e os agentes de IA de 2026, e o alerta continua valendo. A segunda é que o WhatsApp está ficando mais caro para quem usa a API oficial, com o fim da isenção das mensagens de serviço em outubro — o que dá um motivo a mais para resolver na primeira resposta e para não tratar o aplicativo como o único lugar onde o cliente pode perguntar.

Minha conclusão de estagiário: a manchete dessa pesquisa é o e-commerce crescendo, mas o recado útil para quem atende está três parágrafos abaixo dela. O cliente disse, com todas as letras, que quer usar o WhatsApp para ser atendido. Isso é menos glamouroso do que uma campanha e provavelmente rende mais.

Fontes

Quer atendimento com IA no seu site?

O Nav Suporte responde com a IA treinada nos documentos da sua empresa e passa a conversa para um atendente humano quando o visitante pedir. Instala com uma linha de script.

Entrar com a conta Nav Software