Em 30 segundos
Desde terça-feira, 8 de setembro de 2026, o WhatsApp em Android antigo parou de funcionar. O aplicativo agora exige Android 6 ou mais recente, e os celulares que ficaram parados no Android 5.0 e 5.1 saíram de vez. A mudança vale no mundo todo e estava avisada desde abril, com aviso dentro do próprio aplicativo. Quem usava um desses aparelhos precisa migrar a conta para um celular compatível, e o histórico das conversas só vai junto se o backup tiver sido feito.
Eu costumo achar que notícia de fim de suporte é a mais chata da tecnologia. Uma tabela de versões, uma data, e a vida segue. Ontem eu mudei de ideia no meio da leitura.
Porque essa aqui não desliga um recurso: desliga um aparelho inteiro. E, pensando em quem eu escrevo por aqui, teve uma imagem que não saiu da minha cabeça — o celular velho que fica o dia todo no balcão, ligado na tomada, só para responder o WhatsApp da loja.
O que aconteceu em 8 de setembro
A regra é curta. Para abrir o WhatsApp em um celular Android, o sistema precisa ser o Android 6 (Marshmallow) ou mais novo. Quem está no Android 5.0 ou 5.1, o tal do Lollipop, perdeu o acesso.
Vale explicar a diferença, porque ela confunde: uma coisa é atualizar o aplicativo, outra é a versão do sistema do celular. Aqui o corte é no sistema. Atualizar o WhatsApp pela loja não resolve, porque o problema está embaixo dele.
A data não veio de surpresa. A própria Central de Ajuda do WhatsApp já trazia o aviso, e a imprensa noticiou em abril e maio — o Olhar Digital publicou a mudança ainda em 27 de abril, e os donos de aparelhos afetados receberam alerta dentro do aplicativo.
A justificativa da Meta é a de sempre nesses casos, e faz sentido: ela revisa periodicamente quais sistemas continuam suportados, olhando segurança e quantidade de gente ativa em cada versão. O Android 5 é de 2014 e não recebe mais correção de segurança do Google. Manter o aplicativo rodando ali, diz a empresa, trava o que dá para construir para todo mundo.
WhatsApp em Android antigo: o número que eu fui checar
Quando li que a medida atinge "milhões de aparelhos no mundo", fiquei com aquela vontade de ver o tamanho disso no Brasil. Não achei número oficial nenhum — nem da Meta, nem de instituto brasileiro. Então fui atrás do dado que existe: quanto cada versão do Android pesa por aqui.
O que o levantamento do Statcounter mostra em agosto de 2026 é que o parque brasileiro é bem mais novo do que eu imaginava. As seis versões mais usadas vão do Android 16, com 25,18%, até o Android 11, com 6,16%. O Android 5 nem aparece entre elas.
Confesso que esse resultado me deixou um pouco desconfiado do meu próprio susto. Se o Android 5 sumiu das estatísticas, o número de pessoas afetadas é pequeno. Só que "pequeno" em um país com dezenas de milhões de celulares ainda é muita gente — e é justamente o tipo de aparelho que ninguém troca porque ele "ainda serve para o WhatsApp".
Tem outro detalhe que me incomodou na apuração. Cada veículo publicou uma lista de modelos afetados, e as listas não batem entre si: umas citam Galaxy S6 e Moto G de segunda geração, outras vão para aparelhos ainda mais velhos. Como o critério oficial é a versão do sistema, e não o nome do modelo, eu não confiaria em lista nenhuma antes de olhar o próprio celular.
Como saber se o celular do atendimento parou
Dá para checar em menos de um minuto, e é o mesmo caminho na maioria dos aparelhos: Configurações, depois Sobre o telefone, e ali aparece a versão do Android. Se o número começar com 5, aquele aparelho não abre mais o WhatsApp.
O passo seguinte depende de sorte. Alguns celulares aceitam atualizar o sistema em Configurações e Atualização de software; a maioria dos que ficaram no Android 5, não — o fabricante parou de mandar atualização faz quase uma década. Nesse caso, o jeito é levar a conta para outro aparelho.
E aqui vem a parte que dói, e que eu queria que estivesse mais clara nas orientações: o histórico do WhatsApp mora dentro do celular. Ele só viaja para o aparelho novo se existir um backup salvo — pelo próprio aplicativo, em Configurações, Conversas, Backup de conversas. Quem descobriu o problema ontem, com o aplicativo já sem abrir, tem uma janela bem estreita para resolver isso.
O que segue em aberto é o tamanho real do estrago. Nem a Meta nem os órgãos brasileiros divulgaram quantas contas pararam, e não achei nenhum comunicado específico sobre o que acontece com quem simplesmente não conseguir migrar. Fiquei curioso para ver se aparece algum número nos próximos dias.
O que muda para quem atende cliente
Volto à imagem do começo. Em muito negócio pequeno, o atendimento inteiro cabe em um aparelho só: o celular da loja, que fica no balcão, atende cliente, recebe pedido, confirma entrega e guarda anos de conversa. Quando ele para, não para só um telefone. Para o canal.
E não é um canal qualquer. Já escrevi por aqui sobre a pesquisa da CNDL/SPC que mostrou que 73% dos consumidores digitais compraram pelo WhatsApp no último mês. Se o aplicativo é onde a venda acontece, o aparelho que roda o aplicativo virou infraestrutura do negócio, mesmo que ninguém pense nele assim.
O incômodo maior, para mim, nem é a troca do celular — é o histórico preso nele. Quando a conversa mora no aparelho, quem atende depende da memória de quem atendeu antes: o cliente repete o problema, alguém procura no rolo de mensagens, e o combinado da semana passada some junto com o telefone que morreu. Manter esse histórico fora do aparelho, em um painel que a equipe inteira enxerga, é a parte que o Nav Suporte cuida.
Vale juntar essa notícia com a outra que vem aí. Em outubro o WhatsApp começa a cobrar as mensagens de serviço enviadas na janela de 24 horas, e agora um pedaço dos aparelhos saiu do ar. São dois avisos na mesma direção: o canal é da Meta, as regras mudam quando ela decide, e quem atende cliente ali precisa de um plano B para o histórico. Vale para o WhatsApp e vale para qualquer automação ligada por cima dele, do chatbot simples ao agente de IA que executa tarefas.
Nenhum aparelho no balcão é para sempre. Se der para fazer uma coisa hoje, que seja abrir o celular do atendimento, olhar a versão do Android e conferir se o backup das conversas está rodando. Leva um minuto e evita uma segunda-feira ruim.
Fontes
- Sobre os sistemas operacionais compatíveis — Central de Ajuda do WhatsApp.
- WhatsApp deve ficar indisponível em celulares que não tiverem o Android 6 — Olhar Digital, 27 de abril de 2026.
- WhatsApp vai parar de funcionar em alguns celulares Android; veja a lista — Exame, 2 de maio de 2026.
- Celulares Android que perdem suporte ao WhatsApp em setembro de 2026 — Correio Braziliense, 7 de setembro de 2026.
- WhatsApp deixa de funcionar em 16 celulares a partir de hoje; veja a lista — Oficina da Net, 8 de setembro de 2026.
- Mobile Android Version Market Share Brazil — Statcounter Global Stats, agosto de 2026.